Texto - Sala de Produção
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CAPTAR MENSAGENS E RECURSOS
Cinema é uma arte muito cara. Fazer um filme com alguma estrutura requer grande quantidade de equipamentos, bastante tecnologia e muita gente para formar uma equipe competente. Tudo isso tem custo.
Existem concursos e editais que são um ótimo caminho para novos produtores e artistas – Petrobrás, Prêmio Estímulo, BNDES e MinC constituem alguns exemplos. Nesses casos, o dinheiro para fazer o filme sai do governo direto para a conta do produtor ou realizador.
Muitas vezes, mesmo para participar desses editais e concursos, os projetos devem estar inscritos e aprovados pelo Ministério da Cultura por meio das leis de incentivo fiscal. Trata-se das leis Rouanet – incentivo a curtas e médias-metragens – e do Audiovisual – incentivo a curtas, médias e longas-metragens –, que garantem patrocínios a projetos culturais mediante a dedução do imposto de renda de pessoas físicas ou jurídicas. A Lei do Audiovisual é gerida pela Ancine (Agência Nacional de Cinema), órgão oficial que, além de controlar e fiscalizar a indústria cinematográfica no país, fomenta a produção audiovisual por meio de editais e apoios.
No Brasil, a captação de recursos costuma acontecer por meio dessas duas leis de incentivo à cultura. Basicamente, elas funcionam assim: o projeto do filme é enviado ao Ministério da Cultura, no caso do Governo Federal (existem outras leis de incentivo, estaduais e municipais). O Ministério aprova o projeto e, a partir daí, é possível captar recursos nas empresas. Isso é interessante para a iniciativa privada, pois o dinheiro investido no filme não sai diretamente do cofre da empresa. Na verdade, esse recurso iria para o governo, em forma de imposto.
Por meio das leis de incentivo, a empresa utiliza parte desse recurso e, em vez de pagar imposto, investe num filme. Ganha propaganda, vinculando seu nome a um filme legal. Na teoria, é simples. Na prática, nem tanto. Primeiro porque o artista, para conseguir aprovação na lei, precisa ter um ótimo projeto nas mãos. Depois, porque esse projeto, quando aprovado, precisa atender a algumas expectativas das empresas que vão patrociná-lo. É evidente que, para uma grande empresa, é mais fácil pagar seus impostos diretamente para o governo e investir numa publicidade mais direta. Por isso, é preciso ter um projeto interessante também para as empresas.
Para grandes projetos, após a aprovação nas leis, entra uma figura-chave no processo de realizar um filme: o captador de recursos. Captador porque é o cara que capta, que tem os contatos para viabilizar financeiramente a produção. De recursos porque, nesse caso, recursos quer dizer dinheiro. Ou seja: o captador de recursos é quem compreende profundamente o que é interessante para os artistas envolvidos na realização de um filme e o que é interessante para uma empresa que investirá seu dinheiro para que o filme seja realizado. São dois interesses em jogo. Dois pontos de vista. O captador de recursos precisa ter uma espécie de dom, de talento para conhecer e transitar nos meios cultural e corporativo.
O captador é a figura que busca o equilíbrio, o formato do projeto que não destrua a proposta artística (e a transforme numa proposta puramente de mercado) e que, ao mesmo tempo, atenda ao interesse de algumas empresas que podem investir o dinheiro. É um equilíbrio delicado. Um desafio. Muitos produtores são captadores de recursos. Mas a alta especialização que essa função requer tem fortalecido a figura do captador, que participa do filme desde a sua concepção, ajudando a construir o projeto.
Essa relação não termina depois de realizado o investimento. É comum os produtores e captadores conversarem constantemente com os representantes das empresas investidoras até o lançamento do filme. Esse relacionamento constante entre o captador e o investidor garante que o contrato seja cumprido, pois, além de a marca do investidor estar totalmente relacionada ao filme, também existem outras contrapartidas que fazem parte do acordo, como visitas ao set de filmagem, quota de DVDs, participação em eventos de pré-estréia e outras coisas.
Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de conteúdo: Renata Galvão


















