Texto - Sala de Montagem

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TODOS PELA MONTAGEM


É muito interessante notar a evolução da montagem, na história do cinema. As primeiras imagens captadas não eram montadas. Eram captadas e exibidas em tempo real. Para conferir, basta procurar no Youtube os primeiros filmes realizados pelos irmãos Lumière.

Pouco tempo depois, o cinema entrou na era da montagem, com grandes realizadores/teóricos. A figura mais importante desse período é, sem dúvida, Eisenstein, que realizou estudos aprofundados sobre como manipular, por meio da montagem, a linguagem visual. Ele escreveu seus estudos lá pelos anos 30, 40. Mas o que ele pensou é muito atual e, até hoje, ajuda muito montador.

Um pouco mais tarde, teve gente que apareceu contestando a montagem, levantando algumas questões sobre o corte, sobre o tamanho da ação, sobre a importância do plano-seqüência. Hoje em dia, os filmes, de modo geral, têm montagem muito ágil, são cheios de cortes e bastante manipulados.

Depois que foi desenvolvida, a montagem sempre esteve na crista da onda de todo debate que envolve cinema. Isso acontece porque o encadeamento das imagens, a construção do quebra-cabeça que vem do set de filmagem é uma etapa fundamental na realização de um filme. A montagem é tão importante que todo o mundo que está envolvido no processo criativo precisa compreender e trabalhar com ela.

Vamos a um exemplo:

INT. CASA DE CARLOS/SALA – DIA

Carlos pega a chave de seu carro, que está sobre a mesa. Sai de casa.

CORTA PARA

INT. CARRO DE CARLOS – DIA

Carlos dirige seu carro. Olha para um relógio digital, no painel do carro. Pisa mais fundo no acelerador.

FIM

Quando escreve esse trecho, o roteirista desenvolve um pensamento de montador; afinal, ele corta uma série de ações que o personagem, teoricamente, realizou entre pegar as chaves e dirigir o carro. O roteirista, nesse caso, trabalha com o que chamamos de elipse. Tudo a ver com montagem.

O diretor, quando faz a decupagem de seu filme, quando escolhe os planos que vai filmar, sempre pensa na montagem. Afinal, ele não pode aparecer para o montador com um material sem pé nem cabeça. Existem regras mínimas de transição de um plano para outro e, para que elas sejam observadas, é importante que o diretor, durante a filmagem, tenha pensado na montagem.

A montagem está relacionada com a comunicação eficiente da mensagem que o filme pretende passar. E um filme é isso aí mesmo, um monte de pecinhas que precisam ser encaixadas para mostrar, para falar alguma coisa.

A montagem é uma das últimas etapas de realização cinematográfica. Mas, de alguma forma, ela atravessa todo o processo, desde a criação do roteiro, a fotografia e a direção, até o trabalho de mixagem do som.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de conteúdo: Paulo Sacramento