Texto - Sala de Montagem
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O MONTADOR DE HISTÓRIAS
O papel do montador criativo é desenvolver novas e interessantes maneiras de contar uma história. Por isso, para montar um filme, é importante entender de dramaturgia. É preciso conhecer os elementos essenciais da narrativa. Estudar desde a Poética – livro do filósofo grego Aristóteles, fundador da teoria dramática – às mais modernas técnicas de roteiro de cinema.
A diferença entre um bom montador e um simples operador de máquina é o que cada um sabe da arte de narrar. Tirar um pedaço do plano e colocar outro pedaço de plano ou trocar a ordem dos acontecimentos não são atos com motivação puramente estética. Não é porque uma imagem fica mais bonita antes ou depois de outra que o montador decide mudá-las de posição. Enfim, a grande busca é pela melhor maneira narrar, por uma forma original de passar a emoção, de usar a melhor imagem captada pelo diretor.
A grande questão da montagem é sempre essa: por que cortar? Cortar para mostrar melhor alguma coisa, cortar para acentuar a emoção, cortar para contar a história.
Quando o montador corta bem uma seqüência, quando insere os planos mais legais, ele leva o espectador a pontos de vista melhores. Isso não significa que o espectador verá mais. Ele pode, na verdade, ver menos. E ver menos pode ser melhor para o filme. Pode ser importante para a dramaturgia.
Vamos a um exemplo: um homem, que vive trancado em casa, descobre que ficará cego em pouco tempo. Depois dessa descoberta, ele decide pegar sua mochila e partir para ver o mundo, partir para olhar tudo o que puder, antes de perder a visão.
Bom, se pensarmos na ordem natural dos acontecimentos, o roteiro pode trazer como cena inicial o homem lendo, com dificuldade, o resultado de um exame de vista. E descobrindo que ficará cego.
Mas, pensando bem, será que saber o resultado desse exame agora, no princípio do filme, é o mais interessante para desenvolver a história? Que tal manter o espectador assistindo toda a preparação para a viagem sem saber exatamente o que está acontecendo? Que tal criar suspense mostrando alguns pontos de vista do personagem em que a imagem fica totalmente sem foco? Que tal mostrar o personagem olhando uma bela paisagem e chorando, sem explicar exatamente o motivo? Talvez descobrir o resultado do exame no final do filme dê mais força a essa história.
O montador é o cara que vai gerar em nós, por meio do filme, o sentimento de “Tá, mas e aí? Continua! Quero saber onde essa história vai dar!” E esse sentimento é o que nos segura na frente da tela do cinema.
Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de conteúdo: Paulo Sacramento


















