Texto - Sala de Som e Trilha Sonora
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Trilha Sonora: CONVERSA DE BAR
Quando sentamos numa mesa de bar, com alguns amigos, para um bate-papo, geralmente destinamos nossa atenção à conversa e não nos incomodamos muito com os ruídos que nos cercam: a música ambiente, o garçom que empilha e recolhe os pratos, as conversas nas outras mesas, os carros que passam apressados na rua, do lado de fora do boteco.
Mesmo não estando sob o nosso foco principal, esse emaranhado de situações forma o ambiente do qual, naquele momento, fazemos parte. E interfere diretamente no clima da conversa. Por mais que olhemos nossos amigos nos olhos, por mais que nos concentremos em cada fala que nos é destinada, há uma quantidade imensa de sons, de ruídos que nos obrigam a falar mais alto e não contribuem muito com um clima intimista.
Trabalhar com cinema é trabalhar com os sentidos. Por isso, ao realizar nossos filmes, é importante pensar no que vemos e no que ouvimos. O som é um importante aliado da imagem, não só para ambientar a situação, como para contribuir com a narrativa, com a construção do sentido e do sentimento da cena.
Da captação à mixagem, o trabalho do som consiste em buscar uma aproximação da audição humana. E, como fazemos com nosso sentido auditivo, dar ênfase ao que é mais importante ouvir ou não ouvir, em determinado momento.
No bar, podemos estar atentos à conversa de nosso parceiro de copo ou, por outro lado, nem escutar uma pergunta feita por ele, se nosso ouvido estiver focado na mesa ao lado – por exemplo, na conversa de duas meninas bonitas, que falam sobre arranjar um namorado. Nesse caso, ajeitamos o cabelo, viramos um pouquinho a cadeira pra ver melhor as meninas e perguntamos ao nosso companheiro: “O que foi mesmo que você disse?”
Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de conteúdo: Equipe Eletrocooperativa


















