Texto - Sala de Som e Trilha Sonora

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Trilha Sonora: ASSISTIR AO SOM


Em algumas ocasiões, o som assume o controle narrativo, em um filme. Não mostrar a imagem de um tiro e sugerir seu acontecimento por meio do ruído do disparo é um exemplo. Forjar a existência de uma multidão por meio de gritos e palmas é outro. Mostrar a chegada da polícia pelo barulho da sirene é mais um.

Enfim, são infinitas as possibilidades de trabalhar o som para narrar. Sem contar os filmes e desenhos animados em que os sons e a música são protagonistas: geralmente, numa animação, todos os diálogos são gravados antes da realização dos desenhos, para que os movimentos labiais e a movimentação dos personagens aconteçam de acordo com o som. Os personagens Tom e Jerry falam pouco, mas agem em constante sintonia com a bela trilha orquestral.

Os filmes do gênero musical têm grande parte da história e da apresentação dos personagens desenvolvida pela trilha, pela dança e pelas letras das canções. Em Sweeney Todd, o barbeiro demoníaco da rua Fleet, Tim Burton usa a música o tempo todo, realizando uma espécie de ópera cinematográfica. Mesmo caso de Guarda-chuvas do amor, do diretor francês Jacques Demy.

Desde que começou a ser usado no cinema, o som ganhou um papel essencial. Alguns relatos de pessoas que assistiram às primeiras imagens em movimento, feitas pelos irmãos Lumiére, mostram certo incômodo com o silêncio na sala de exibição. Hoje, ao entrar num cinema equipado com o sistema Dolby Digital 5.1, sequer podemos imaginar o que seria assistir a um filme sem ouvir seus ruídos, suas falas ou suas músicas.

Enfim, ouvir o que vê em movimento parece um instinto natural do ser humano. Por isso, um filme só é pleno quando constrói sua simbologia na imagem e no som – mesmo que esse som seja, em alguns casos, o do silêncio.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de conteúdo: Equipe Eletrocooperativa